quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bodas de trigo

Nascida em 1985, com 21 anos de idade em 2006, eu já havia cruzado com aproximadamente 150.000 homens desde o meu nascimento. Fui apresentada a aproximadamente 4.000 pessoas desde que me tornei adolescente. Na cidade de Santos, onde morava até então, existiam aproximadamente 25.000 homens de idade próxima a minha...

E em junho de 2006, em meio a 40.000.000 de habitantes do estado de SP...e 35.000.000 de usuários do orkut, me apareceu você.

Cearense, vivendo a mais de 500 km de distancia de mim, a probabilidade disso se tornar algo real era de menos de 1%.

70% dos casais que se conhecem pela internet se frustram no primeiro encontro. 80% dos casais que se conhecem pela internet e começam a namorar, não passam de alguns meses.

65% dos casais que namoram por um período menor do que um ano antes de se casar, se separam em menos de dois anos.

É... todas as probabilidades eram contra nós..

Mas quem pode explicar?

Quando vi a sua foto, pela primeira vez, nem de frente você tava, e eu senti um frio na barriga e perguntei pra Deus: é ele?

A resposta não veio assim tão simples, mas o frio na barriga permaneceu.

Quando eu ouvi a sua voz, um sotaque tão diferente do meu, e a sensação de que essa voz, um dia, me seria tão familiar..

Quando a gente se encontrou, em meio a todas as expectativas e o sempre presente frio na barriga..

Eu fui conferindo todos os itens da minha lista:

simpático/extrovertido , carinhoso , estabilizado profissionalmente ou se encaminhando pra isso, apaixonado por Jesus mais do que por mim, disposto a dedicar a vida para a obra de Deus.......confere,confere,confere,confere,confere... fechou.

A próxima pergunta foi: Senhor, fechou.. e o frio na barriga continuou.. afinal, é ele?

Não bastava apenas encaixar na lista, o mais difícil era caber no meu coração. Trancado e com as chaves na mão do Pai, finalmente começou a se abalar.

Dentro de mim, a estranha certeza de que você era exatamente aquilo que faltava, chegou, ficou, ninguém mais conseguiu tirar.

Você apareceu, de onde eu nem podia imaginar, e contrariando todas as probabilidades, chegou pra ficar.

Dia 07/07/2007 se concretizou, e a gente declarou que as muitas águas jamais poderiam nos separar.

Três anos depois, eu gosto de lembrar, como tudo começou..

olhar pra trás e ver , que, quando todos os números e probabilidades eram contra nós..

Nós estamos aqui, nós chegamos até aqui e a história apenas começou..

Há uma vida pela frente , há um eu+você que é pra sempre.

Hoje eu só posso agradecer, porque Deus não trabalha com probabilidades, Ele trabalha com o impossível, o improvável.

A Sua vontade é boa, perfeita e agradável.. e sua probabilidade de acerto é 100%.

sábado, 3 de julho de 2010

Valeu seleção !

Logo depois da eliminação do Brasil na Copa, fui viajando de Santos , SP, até Pelotas , no fim do RS.
Por todas as cidades que passei , foi curioso observar a reação dos brasileiros. O Brasil, tão barulhento até então, agora estava mudo. As pessoas pelas ruas, meio que, sem saber o que fazer. O brasileiro, já tão acostumado a comemorar , parecia desolado.
Vi um sujeito no bar com os amigos rasgar sua camisa da seleção num surto de revolta. Vi num banheiro público , uma criança que mal sabia falar, repetindo auxiliado pela mãe: ''o dunga enganou a gente, por isso o Brasil perdeu.''
Por outro lado pude ver casinhas isoladas , no meio da estrada, com uma bandeira do Brasil que não foi retirada. Crianças com a camisa da seleção , agora fazendo planos pra copa de 2014.
Nessa hora todo mundo procura um culpado, um vilão para ser malhado. Todos dizem ''eu sabia'', devia ter sido feito assim, ou assado...
O crítico é aquele que sabe fazer tudo na teoria, mas não faz nada na prática.
Desse grupo eu prefiro não participar.
Prefiro continuar acreditando que o futebol brasileiro é lindo ,é arte , e que perder, mesmo que doa, faz parte.
Eu prefiro não tirar do lugar a bandeira que comprei. Não deixar de ser brasileira, só porque a Copa acabou para nós.
Prefiro olhar pra exemplos como o de Kaká , que em depoimento depois da eliminação fez o Brasil se emocionar.
Exemplo de superação, amor a camisa e garra, que faz a gente ainda querer continuar cantando o tão famoso hino: ''eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...''
Prefiro olhar pra cena que foi, pra mim, a mais linda da copa: quando nos gols de Robinho, ele ajoelha, levanta as mãos pro céu e solta um grito que parecia entalado na garganta, dando glória ao único e invencível Campeão dos campeões.
Sim, pra mim o Júlio Cesar continua sendo um goleiro fantástico ,o melhor do mundo, afinal, um jogo não pode tirar dele o mérito de toda a história que construiu. E o que dizer do Felipe Mello, que no primeiro tempo era rei, no segundo passou a vilão. Eu prefiro dizer que ele é humano, teve muitos acertos e cometeu erros graves, como todos nós.
Eu prefiro acreditar que cada um daqueles ali, tentaram dar o seu melhor, pois afinal, mais do que ninguém, eles queriam a vitória.
Prefiro agradecer a nossa seleção , e dizer, que o sonho não acabou. Em 2014 nós estaremos participando, agora mais perto do que nunca, mais juntos do que nunca. Mas que sejamos uma torcida que apoie, incentive e reconheça a sua seleção.
A verdade é que pra muitos desesperançados, a vitória no futebol é uma das únicas alegrias que restam.
Talvez seja bem aí que more o problema.
A grande diferença entre a Holanda e o Brasil é que a Holanda teve sangue frio pra jogar com o pé e a cabeça. Talvez tenha sido esse o pecado da nossa seleção. O desespero diante da possibilidade de frustrar o seu país, adiando o sonho do Hexa. O fato de sentir a pressão da imensa responsabilidade que tem. Saber que levavam em seus pés, como já dizia a frase no ônibus da seleção, o coração de 190 milhões de brasileiros. E assim foi no último dia 2 , era coração demais pra um jogo só.
De um lado 11 jogadores buscando uma vitória. Do outro, 11 homens carregando
o peso de 190 milhões de corações desesperados pela realização de um sonho.
E se a falha do Brasil foi jogar com o coração... por esse pecado, quem poderemos condenar?